quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Série Os “Behaviorismos” (1) O Interbehaviorismo de Jacob Robert Kantor.

O Behaviorismo é chamada de escola “maldita” da Psicologia. É comumente atribuído aos behavioristas o titulo de reducionistas, mecanicistas, objetivistas, e que os terapeutas dessa abordagem são apenas diretivos e muitas vezes “Cruéis”, que não ligam para os fenômenos da “Subjetividade”, etc.

Essa crítica por assim dizer, pode ser atribuida com o risco de cometermos alguma injustiça ao Behaviorismo de Watson, também chamado de “Metodológico”. Porém existem muitos outros "behaviorismos".

Criei essa série para falar sobre estes outros “behaviorismos” dentre eles o de Kantor.

J. B. Kantor, sua noção de Behaviorismo era a de uma "postura ciêntifica" de confrontar dados, e não somente uma escola de Psicologia.




Kantor foi um psicólogo americano bastante preocupado com epistemologia, não chegando porem a criar um sistema prático ou um programa experimental expressivo.
Ele defendia que as “ficções mentais” fossem abolidas do campo da Psicologia, pois seu objetivo era “aplainar o caminho da psicologia como ciência natural” (Kantor apud Hillix, W. A. & Marx, M. H., 1995).
O Interbehaviorismo de Kantor se baseava na noção de campo intercomportamental (algo como a conexão entre o estímulo e a resposta), pois para ele o foco da psicologia não seria o estudo nem da resposta e nem do estímulo, mas da relação (ou interação) que existe entre os dois (ou classes dos dois), se aproximando muito da perspectiva Skinneriana.
Vale lembrar que para Skinner, comportamento não é o estimulo e nem a resposta mas a relação entre eles.

B. F. Skinner fundador da escola do Behaviorismo Radical
Kantor criticava tanto o mentalismo, por suas ficções explanatórias, quanto o biologicismo que dizia ser o comportamento algo fisiológico do organismo. Um exemplo de sua análise era o comportamento de perceber, que tradicionalmente é entendido como “percepção”.
Segundo Kantor, para um mentalista a percepção seria um processo interno e mental, “entre” o estimulo e a resposta em que um sujeito “apreenderia” o mundo, e para um biologicista seria um padrão bio-fisico-quimico em alguma região do cérebro.

Para um mentalísta a mente é uma substancia que governa o corpo.
Para um biologicista ou fisiologicista, o fenômento "Psiquico" encontra-se no cérebro, e é simplismente a ação de "sinapses".

Para Kantor tanto uma perspectiva, tanto outra estão incorretas, pois o perceber não está em nenhuma destas instancias, este seria uma relação (Interação) entre um organismo inteiro e seu meio (que inclui além do meio físico o meio social e de linguagem) não estando em nenhuma parte especifica deste. A Percepção neste caso não seria em si uma “coisa” que pode ser encontrada no corpo e nem uma substancia imaterial encontrada em algum lugar misterioso “da mente”.

O Biológico para Kantor seria parte do contexto em que o comportamento ocorreria (não o único), e não seu determinante ou local de "iniciação".

Outra postura interessante da proposta de Kantor é seu olhar sobre a ciência em geral.
Para Kantor o behaviorismo não é exclusivo da Psicologia, mas toda ciência em determinada faze atinge seu behaviorismo que para ele é definido por uma ciência que pode ter seus dados confrontados.
Para ele a Astronomia seria uma ciência behaviorista por poder sempre confrontar seus dados e teorias no “tribunal da prática e da experimentação” em oposição a Astrologia que se baseia em teorias inconfrontaveis por natureza.




Outra teoria cientifica que sofreu uma mudança behaviorista foi a biologia pós Darwin que abandonou a geração espontânea ou criacionismo em favor da seleção natural, microbiologia, genética, etc.
Kantor defendia que a Psicologia precisava se livrar de suas teorias e constructos não confrontáveis “fictícios” como a mente, a volição, a intencionalidade, etc. E isso se deu inicio com James B. Watson em seu manifesto behaviorista.


Grandemente conhecido nos EUA, este autor vem sendo revisitado por Analistas do Comportamento modernos que vêem em sua teoria uma possível contribuição ao Behaviorismo Radical, principalmente no campo da Subjetividade.

Da próxima falarei um pouco de Watson.
Até lá.

Nenhum comentário:

Postar um comentário