sexta-feira, 1 de outubro de 2010

A Evolução por Seleção Natural

Neste post falarei sobre a teoria da evolução por variação e seleção natural. Essa teoria gerou e gera muita polemica entre os defensores de um "criador" ou de um "design inteligente".
É imprescindível que aquele que queria aprender Análise do Comportamento e Behaviorismo Radical que entendam este modelo, pois posteriormente Skinner o adotará e o extrapolará para explicar a "evolução operante".




A idéia de evolução não é recente, os filósofos gregos pré-socráticos já haviam proposto que os animais evoluíram de formas menos simples para as atuais.  Dentre estas teorias pré-socráticas estavam a de Anaximandro de Mileto (610-546 aC), a de Empédocles de Agrigento (493-433 aC). Estas idéias porem foram abandonadas na filosofia clássica, que pressupunha uma existência concreta para os conceitos, todas as coisas teriam em si o germe de sua perfeição. (Essa idéia está presente ainda hoje em muitas teorias do desenvolvimento em Psicologia, como a de Piaget, Freud, etc.)


O naturalista francês Jean Baptiste Lamarck (1744-1829 dC), especialista em invertebrados, baseado em muitas idéias dos filósofos gregos e com contribuições de muitos de seus contemporâneos, formulou também uma teoria da evolução. Ele considerava que, a partir das formas de vida mais simples, surgiriam espontaneamente outras formas mais complexas. Este processo estaria governado por três leis biológicas: (1) a influência do meio ambiente sobre o desenvolvimento dos órgãos, (2) a mudança na estrutura corporal com base no uso ou na falta de uso de certas partes do corpo, e (3) a herança dos caracteres adquiridos. Esta teoria foi apresentada pela primeira através da obra “Filosofia Zoológica”, em 1809.


Essa teoria adaptava-se a idéia de mecanicismo proposta por Newton, pois pressupunha que algo externo ao organismo "forçava" este a "evoluir", este modelo Lamarkiano de evolução quase substituiu o Darwinismo no inicio do século XX, e muitas correntes Psicológicas como a Psicanálise e a Epistemologia Genética, adotaram o que é chamado de Epigenética.










Partindo de observações empíricas e dados coletados pelos estudos geológicos os naturalistas britânicos Alfred Russell Wallace (1823-1913) e Charles Robert Darwin (1809-1882), desenvolveram também uma teoria evolucionistas, mas não mais com o modelo causal mecânico.
Em suas visitas as ilhas Galápagos, Darwin notou que em cada ilha do arquipélago haviam variações de uma mesma linhagem, embora que com traços anatômicos e fisiológicos muito parecidos. Mais que isso, as variações encontradas eram todas de forma a melhor lidar com o ambiente em que as espécies se encontravam.

Darwin então identificou dois processos distintos, a Variação do organismo, e algo ocorrendo no Ambiente Selecionando essa variação dada pelo organismo. Ele percebeu também que na natureza uma espécie compete com outra e a que tiver as melhores características obtidas através da variação biológica são selecionadas.

Mas qual seria o mecanismo de variação? O que possibilitaria a variação biológica? Darwin naquela época não tinha a resposta, ela apenas a aceitou baseado em dados obtidos por cruzamentos de pombos em seu laboratório. Tempos depois um monge agostiniano estudando cruzamento de plantas vai traçar como essa variação ocorre e como é transmitida, estamos falando de Gregor Johann Mendel (1822-1884) e sua nova ciência chamada genética, que só vai ser sintetizada a Seleção Natural nos anos 30 do século XX, no que se chamará de Neo-Darwinismo.



Porém esse não é o aspecto mais importante da teoria de Darwin-Wallace, a grande revolução que a idéias desse autores trouxeram para a ciência e que o Behaviorismo Radical de Skinner se utilizará é o modelo de causalidade por Variação e Seleção.
De que consiste esse modelo?
Exemplificando: Em uma situação hipotética, em um ambiente branco, que pode ser a casca de uma árvore vive uma espécie de mariposas brancas. Nem todas as mariposas são semelhantes entre si, em tamanho forma ou mesmo cor, temos então variação natural na espécie, mas somente aquelas que mais se aproximarem do tom branco da arvore viverão tempo suficiente para se reproduzirem, pois na redondeza da árvore existem predadores que comem sempre os mais escuros (por serem mais faceis de se identificar).


Com o passar do tempo (milhões de anos) a atmosfera graças a erupções vulcânicas (ou poluição humana) a casca da arvore tende a ficar gradativamente mais escura. Agora a vantagem é daqueles indivíduos que nascerem mais escuros, e aqueles que antes eram brancos são agora facilmente comidos pelos predadores. A espécie agora numa média tende a ficar mais escura.
Mais tempo passa e a atmosfera fica ainda mais poluída tornando o tronco totalmente negro. Nesse momento aqueles indivíduos que nascerem totalmente negros terão mais vantagens contra os que nascerem mais claros (o tom anterior) e os totalmente brancos são completamente extintos.

O Desenho abaixo mostra de forma sistemática o exemplo acima:

Exemplo de seleção natural em população de mariposas. (O mesmo ocorreu de fato no inicio da revolução industrial).

Nota-se que o ambiente não age "causando" a evolução como uma FORÇA, mas sim selecionando a variação do organismo. O Organismo também não tem uma "META" para se desenvolver, mas varia de forma randômica em um continum que vai da cor atual, as cores um pouco mais claras e as cores um pouco mais escuras.
Nosso comportamento individual também obedece as mesmas leis de variação e seleção.
Uma determinada linhagem de respostas é emitida, acontece uma transformação no ambiente causada por elas ou não, essa mudança no ambiente pode 1) selecioná-las, 2) Mantê-las, ou 3) Extingui-las.

Conforme o tempo passa o ambiente volta a mudar novamente, ocasionando uma nova mudança no responder, e assim continuamente.
Não a nada "causando" o responder, como um Eu criador, Mente ou Self (Skinner faz um paralelo destes com Deus na explicação anterior a Darwin), mas sim a processos de Variação e Seleção.
O Mesmo acontece com a cultura.
Esse modelo explicativo será chamado por Skinner de Seleção pelas Conseqüências.
Mas isso é assunto para outro Post.




3 comentários:

  1. Gostei do resumo, Marcos, entretanto gostaria de fazer algumas colocações e complementações.
    Não concordo com o que você disse, que o modelo Lamarckiano quase substituiu o Darwinismo no início do século XX. É fato que a Seleção Natural teve uma resistência no início, mas o Lamarckismo foi bem anterior, então na verdade o que ocorreu foi o contrário, a substituição do Lamarckismo pelo Darwinismo, que vemos até hoje.
    Não entendi a relação de Psicanálise e Epistemologia Genética com Epigenética. A Epigenética não é conhecida desde o início do século XX, nem a estrutura do DNA era conhecida ainda, a Epigenética veio a partir do século XXI.
    O modelo das mariposas é mesmo impressionante, também é o meu preferido. Só queria complementar que esse fenômeno ocorreu na fase da Revolução Industrial, quando o mundo começou a viver de industrialização, assim como as mariposas escuras ^^.

    Abraços.

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  2. Oi Fernanda é uma honra tela aqui no blog comentando.

    Epigenética é um termo recente como vc mas que caracteriza pesquisas com pressupostos de que o ambiente modifica os genes em um organismo e esse transmite essa mudança hereditariamente. Pode-se dizer então que a teoria de Lamarck era Epigenética pois seu pressuposto era de que a evolução acontecia somente por esse mecanismo. (Hoje sabemos que ele explica algumas exceções a seleção natural).

    Tanto Freud, como Piaget viveram na época do Eclipse do Darwinismo e foram muito mais influenciados pela teoria de Lamarck (Epigenética) do que pela de Darwin da seleção natural. As Psicologias de ambos e de muitos outros tem como modelo explicativo para o comportamento a existência de estruturas que "amadurecem" e são modificadas pelo ambiente por "pressões" deste sobre elas. O comportamento é só uma expressão dessas estruturas internas pré-estabelecidas e que seguem um rumo certo de evolução. Lamarck acreditava que as espécies evoluiam rumo a uma perfeição - o homem.

    Skinner não utiliza do conceito de evolução, ou desenvolvimento como os outros psicólogos, pois pressupões que o comportamento seja organizado por estruturas que amadurecem, assim como Darwin e os neodarwinistas não gostam desse termo por denotar um sentido na transformação das espécies pela seleção.

    Lamarck, Freud, Piaget, Rogers, dentre outros são Teleologicos.

    Skinner vai se utilizar do modelo de seleção pelas conseqüências em que o comportamento varia por n motivos, e é selecionado se suas conseqüências forem adaptativas.

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